Autora diz que na hora da atração não usamos o cérebro racional; leia trecho

Com lançamento marcado para o próximo dia 15, o livro “Os Homens Preferem Mesmo as Loiras?” utiliza a ciência para tentar desvendar alguns mistérios que envolvem a atração sexual.

Na obra, a bióloga Jena Pincott traz cerca de 100 perguntas e respostas que exploram a ciência por trás do sexo, do amor e da sedução. Para desvendar o que torna certas pessoas atraentes umas às outras, Jena percorreu campos tão diversos quanto a neurociência, a ciência cognitiva, a biologia e a psicologia evolutiva.

Com os estudos apresentados no livro, a autora desvenda, por exemplo, por que geralmente não sentimos atração sexual por pessoas que cresceram conosco; por que as pessoas parecem mais bonitas quando outros estão interessados nelas; por que achamos nosso parceiro tão incrível, mesmo quando ninguém mais acha; por que casais ficam cada vez mais parecidos com o passar do tempo; por que os homens preferem pupilas grandes e o que torna um rosto bonito, entre muitas outras questões.

Sem tirar o mistério do amor e da atração, os textos de “Os Homens Preferem Mesmo as Loiras?” funcionam como uma pista e mostram que, embora cultura e experiência pessoal afetem as nossas decisões, forças ocultas do desejo nos influenciam de maneira incontrolável.

Leia abaixo a introdução do livro.

*

Introdução

Numa noite de outono, à medida que o ar se tornava extremamente frio e a perspectiva de férias solitárias se aproximava, minha amiga Rita foi a um desses encontros que envolvem várias pessoas. Rita é linda e alegre, e topou o desafio de conhecer mais homens em uma hora do que a maioria das mulheres conhece em um ano. A princípio, ela pensou em uma das sessões de interesse específico: “Amantes do Teatro”, “Amantes da Saúde e da Boa Forma”, ou uma chamada “Cachorrinho”, que na verdade era indicada a donos de cachorros. “Vou encontrar meu marido”, ela disse quando fiz minha cara de cética. Ela se decidiu por uma sessão para trintões, e foi sozinha porque seus amigos se recusaram a ir com ela. No dia seguinte, Rita estava com um humor efusivo e exuberante. Deitou-se de costas, com a mão sob a cabeça, rindo e fitando o teto. Havia conhecido vinte homens, disse, meio que afobada. Três minutos eram tudo o que ela tinha para formar uma impressão de cada “pretendente”, antes que um sino tocasse e ela fosse conhecer o próximo. Um cara se sobressaiu aos outros. Eles tiveram uma conexão fabulosa. “Seu futuro marido?”, perguntei, impressionada.

Rita diz que está em busca de um homem que seja fiel, responsável, educado, espiritual e ambicioso, e que queira ser pai. Esta é a Rita racional falando. Mas, no calor do momento, ela esquece suas intenções. Rita se impressionava com os caras mais empenhados que se arrumavam para ir a esses encontros. Mas seu homem maravilhoso, o único para quem ela disse sim, acabou sendo um brutamontes cheio de lábia que morava no sofá de um amigo. Durante três minutos, ele a encarou e fez perguntas como “Gatinha, por que você não vira modelo?”. Talvez ele não fosse um homem para casar, mas ela foi fisgada.

Depois da experiência de Rita, não fiquei chocada em descobrir que, em todos os estudos sobre esses encontros, as preferências declaradas de homens e mulheres não estão relacionadas às características das pessoas que eles acabam escolhendo. Geralmente confiamos mais no instinto ou no impulso do que na razão. Na verdade, metade das mulheres que participam desses encontros diz que sabe se irá dizer sim para um cara nos primeiros três segundos. Homens também são assustadoramente eficientes, e ambos os sexos se importam muito com aparência. Quando o sino toca, todos os participantes já se decidiram.

Então, o que acontece nesses três segundos ou três minutos? Que parte de Rita – ou de você – decide o que é sensual? Não é o cérebro racional. Quando se trata de atração, a consciência reduz uma marcha. Os instintos aceleram. Os sentidos dominam. Inconscientemente, você está captando o tom de voz de seu parceiro, a firmeza de seus ombros, a espessura de suas sobrancelhas e mandíbula, o bom humor em seu olhar. Tem a aparência certa, parece certo, tem o cheiro certo, age da maneira certa. Talvez você sinta um rubor lento, ardente. Você acaba se inclinando em sua direção. É como se seu corpo estivesse tomando as decisões – seus olhos, ouvidos, nariz, hormônios, ou algo no fundo de seu cérebro.

O tempo todo – mas especialmente em sua vida amorosa – você está tomando decisões além de sua percepção, e as pessoas reagem a você de maneiras e por motivos que são inconscientes a elas. Talvez em alguns dias você se pegue agindo de modo um pouco mais “flertante”. Hoje de manhã, repentinamente, talvez tenha decidido usar algo mais sensual do que normalmente. Sua pele está mais macia, seus traços estão mais simétricos. Os homens parecem se sentir atraídos por você. Você se abre como uma flor ao conversar com caras atrevidos, dominantes, mesmo que eles, normalmente, não sejam o seu tipo. O que está acontecendo?

Acontece que há muitas influências profundas e sutis que tornam certas pessoas atraentes a você, e você a elas. Ou não! Tome o odor corporal como exemplo. Por que será que você adora o cheiro do suor de alguns homens, mas não o de outros? O odor natural de um homem é um fator “ame ou odeie” para muitas mulheres. Na verdade, seu poder surpreendente foi a inspiração para este livro. Uma vez saí com um cara cujo cheiro eu odiava, embora ele tomasse banho, e isso foi um grande motivo para eu não levar o relacionamento adiante. Mais tarde, conheci um homem cujo cheiro eu adoro – e me casei com ele (por esta e outras qualidades incríveis). Quando descobri que há um fundamento biológico para minha exigência olfativa, fiquei intrigada.

Há ciência de verdade por trás de muitas coisas esquisitas que passam despercebidas em sua vida amorosa, como os motivos por que você atinge o orgasmo mais frequentemente com alguns amantes do que com outros, por que o sexo a sacia, por que trocar carícias com um homem faz com que você se sinta um pouco mais conectada e tenha mais confiança nele, mesmo quando não quer. Há motivos para os homens pensarem que você está a fim deles quando não está; para as pessoas parecerem mais atraentes quando você está excitada ou olha em seus olhos, para a pílula mudar sua preferência por homens; para seu desejo sexual aumentar no outono; e para você ficar tão louca quando se apaixona.

Claro, homens também são motivados por desejos e instintos. Há razões para eles terem uma reação diferente daquela das mulheres à pornografia, para ficarem atrapalhados ao ver garotas lindas, e para ficarem tão carinhosos quando você passa um tempo longe deles. Talvez você também se pergunte por que tantos caras ficam encantados com seios voluptuosos, corpos de violão e pernas compridas. E o que há de tão atraente em cabelos loiros?

Os homens preferem mesmo as loiras? explora o lado secreto do amor, do sexo e da atração. As perguntas neste livro – quase cem – foram motivadas pela minha curiosidade de certa forma insaciável por ciência, apelo sexual e subconsciente. O que é isso sobre que não falamos porque mal sabemos que acontece? Atrás de respostas, pesquisei centenas de estudos, em diversas disciplinas, lidos por colegas: biologia, psicologia evolutiva, antropologia, neurociência, endocrinologia e outras. Fiquei fascinada.

Como escritora com um histórico em ciências, embora não uma especialista, usei uma ampla variedade de fontes, encontrando tópicos que iam de linguagem corporal a bissexualidade, de hormônios a feromônios, e de “genes sexuais” a modelos de “valor de acasalamento”. Inspirado nesses estudos, com insights das entrevistas com muitos dos pesquisadores, este livro mostra toda a pesquisa que me chamou a atenção sobre atração e suas consequências, amor e sexo (não necessariamente nesta ordem). Algumas das descobertas mostradas aqui são as predominantes, enquanto outras são recentes e mais polêmicas. Embora nenhum estudo resolva os mistérios do amor e da atração, cada um funciona como uma pista. Juntos, eles oferecem uma perspectiva mais ampla. (Cientistas não acreditam de verdade que nossas vidas amorosas podem ser reduzidas a ciência, mas que podemos usá-la para entender melhor a nós mesmos.)

Um dos temas nessa brincadeira através da pesquisa é que todos têm uma preferência inconsciente por certos traços, e muito do que desejamos tem raízes profundas em tendências evolutivas. Nós evoluímos assim. Estudando condições ancestrais e comportamentos de acasalamento de outros animais, biólogos evolutivos chegaram a uma opinião interessante: não importa se você quer mesmo ou não ter filhos, você tem instintos de “investimento paternal” que afetam sua vida sexual. Tudo se reduz à verdade biológica básica de que, em um ano, uma mulher pode dormir com milhões de homens, mas ter apenas uma gravidez completa, enquanto um homem pode dormir com milhões de mulheres e ter milhões de bebês. Para maximizar seu sucesso reprodutivo, homens são atraídos por pistas de fertilidade – juventude e beleza -, especialmente em relacionamentos curtos. Para as mulheres, é mais complicado. Mulheres têm mais coisas em jogo no caso de uma gravidez, então somos mais seletivas quanto aos parceiros sexuais. Ao longo dos tempos, desenvolvemos inclinações por caras com sinais de bons genes (masculinidade e dominância social ou física) e sinais de que seriam bons pais (que alimentam e provêm), apesar de frequentemente fazermos concessões, dependendo das circunstâncias. Embora seja certo que cultura e experiência pessoal afetam as decisões que tomamos em nossas vidas amorosas (e sexuais), as forças ocultas do desejo e dos instintos nos influenciam de maneira inesperada.

Há muitas perguntas. Por que caras falastrões e fortões atraem minha amiga Rita, e o que os atrai nela? Como os homens conseguem fazer sexo com você, ou conquistar seu coração, e como você tem o mesmo efeito sobre eles? E por que, quando você está com a pessoa certa, amor e sexo são tão magníficos? Ao escrever este livro, fiquei contente em descobrir que tantos pesquisadores, de campos tão distintos, estão explorando tópicos relevantes para nossas vidas amorosas – desde nossa aparência até nosso cheiro, e desde os motivos para fazermos amor até a maneira como permanecemos apaixonados. (Este é um livro para ser folheado, então olhe as perguntas e deixe seu interesse guiá-la.) Essas descobertas oferecem insights úteis sobre a natureza humana. Melhor ainda, são muito divertidas. Como diz o prêmio Nobel de Física Richard Feynman, “A ciência se parece muito com o sexo. Às vezes dá para tirar algo útil dela, mas esta não é a única razão pela qual estamos praticando”.

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Publicado em 2 de maio de 2010, em Sem categoria. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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