Adaptada do teatro, a série ‘Clandestinos: O sonho começou’ mostra a vida de jovens atores

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RIO – Na entrada do Teatro do Leblon, no Rio, um grupo de 17 jovens se destaca. Com perfis e visuais variados, eles conversam, riem, fazem graça. Poderia ser uma mesa de amigos de faculdade, quem sabe. Mas todos são atores que buscam um espaço, uma chance, uma brecha para mostrar seu talento. A primeira conquista do grupo está em cartaz até dezembro: desde 2008, a peça “Clandestinos”, dirigida por João Falcão, conta a saga “desses moços e moças que sonham nessa cidade esse sonho de ser artista”, como diz o diretor.

Numa mistura de ficção e realidade, a trama encenada no teatro ganhou novos ares e agora chega à TV. “Clandestinos: O sonho começou” estreia na quinta-feira, na Globo, logo após “A grande família”, com a promessa de mostrar os dilemas do jovem adulto contemporâneo.

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Com sete episódios, a série, escrita por Guel Arraes, João Falcão e Jorge Furtado, traz um novo olhar sobre o teatro. Na peça, um diretor (interpretado por Fábio Enriquez) imagina um espetáculo baseado na trajetória – que mistura a vida real dos atores e fantasia – de personagens que vivem em sua cabeça. Já na série, o ponto de partida da trama é um processo seletivo para uma montagem teatral. A vida dos jovens atores do elenco do programa, vindos de todas as partes do Brasil, em alguns casos serve de inspiração para o personagens: apenas um deles não foi batizado com o nome de seu intérprete. Mais ou menos como aconteceu durante os testes da peça “Clandestinos”, escrita com base na bagagem pessoal dos candidatos que passaram pelo palco do Teatro Glória, no Rio.

Além do programa, a partir de hoje e nos próximos sete domingos será apresentado no “Fantástico” o quadro “Clandestinos, a vida real”. Nele, o ator Bruno Garcia investiga o cotidiano dos jovens do elenco, que, na série, foram dirigidos por Flávia Lacerda. Recifense como Falcão, ela retoma com o autor a bem-sucedida parceria de “Sexo frágil”.

– O fato de serem estreantes em televisão só os deixa mais disponíveis e abertos para qualquer desafio, o que é muito enriquecedor. Todos já tinham uma vivência grande do personagem que foi proporcionada pela peça – conta.

O que se vê espalhado por estas páginas é apenas um recorte das histórias desses atores e de seus personagens. “Clandestinos…” traz, ainda, a participação de Fábio Assunção e Dennis Carvalho, além de Nanda Costa, que vive uma atriz que ficou famosa depois de uma novela.

– É um trabalho de recriação. Mesmo baseado em histórias reais trata-se de uma interpretação – avalia Flávia.

Conheça os atores e os personagens

MICHELLE BATISTA (Michelle). Formada em teatro na UniRio, Michelle e a irmã gêmea, Giselle, trabalharam juntas em teatro, publicidade e até “Malhação”. Na série, elas tentam se diferenciar. Na vida… “Em vez de ficar pensando se é bom ou ruim ter uma irmã que fez a mesma escolha que você, nos preparamos para fazer bem o que a gente escolheu”, diz.

ALEJANDRO CLAVEAUX (Alejandro). “Estudei teatro ao mesmo tempo em que estudava Engenharia de Alimentos. Aposentei o diploma”, conta o ator goiano. Seu personagem é um ex-modelo que tenta mostrar que é versátil e fugir do estigma. Na peça, Claveaux, que é modelo, vive um gago, um argentino e até um macaco. “Faltando duas semanas para a estreia no teatro, não sabia o que ia fazer. Tive que improvisar para ajudar na criação das histórias”, conta ele, também no ar em “Open bar”, série do Multishow.

ADELAIDE DE CASTRO (Adelaide). A história da mineira de Três Corações é um dos fios condutores do primeiro episódio e uma das que mais emocionam. Ela, que participava de um projeto social no qual fazia teatro e tocava saxofone (até em enterros!), soube do teste para a peça e veio com cara, coragem e sax para a cidade grande – na série, a história é semelhante. No Rio, Adelaide já trabalhou em casas de festas e escritórios. “As pessoas se identificam com histórias reais, histórias de sonho, pois todo mundo sonha”, reflete.

FÁBIO ENRIQUEZ (Fábio). O ator, que morava em São Pedro da Aldeia, litoral do Estado do Rio, faz o papel de diretor de “Clandestinos”- na peça do palco e na peça da série da TV. Hoje, além de atuar, estuda teatro na UniRio: “O meio acadêmico se distancia um pouco da prática e isso faz a gente ter que se desdobrar em duas posturas diferentes”.

BRUNO HEITOR (Edmilson). Na série, Edmilson é um motorista de táxi e talvez o personagem menos conectado à realidade do ator que o interpreta. “Não era motorista, mas trabalhava numa loja de carros. Mesmo não sendo uma história parecida com a minha ‘vida real’, não me acho completamente diferente do Edmilson”, diz Heitor. Na série, ele dá expediente numa lanchonete só para ficar perto de Chandelly, sua paixão. No teatro, o ator toca violoncelo. “Fiz um número para o teste, mas não aprendi a tocar ainda”, ri.

EDUARDO LANDIM (Eduardo). Negro de olhos verdes, na série Eduardo é um jovem criado pela avó e que desde pequeno buscava bons papéis no teatro da escola, mas não conseguia sair do estereótipo. Na peça, seu personagem também discute a questão racial de forma menos sutil. “Todos temos preconceitos diversos. Então, discutir, entender e perceber as causas e consequências dos nossos preconceitos é sempre importante quando se vive em sociedade”, afirma o ator.

MARCELA COELHO (Marcela). Nascida em Minas Gerais, Marcela não passou no teste para a peça e brinca que entrou na série pela repescagem. Sua personagem quer ser estrela de cinema. Ela mesma imaginava coisas assim, criando filmes e peças em sua cidade: “Minha irmã filmava com uma câmera amadora e transformávamos tudo em cinema”.

JÚNIOR VIEIRA (Júnior). Morador da comunidade São João, no Engenho Novo, no Rio, Júnior nasceu no Maranhão. Seu personagem também é de uma comunidade e acostumado a ser alvo de preconceito. “Corro atrás do que quero até conseguir. Se não consigo, pelo menos tentei”, diz o ator, que fez teste para a peça, mas acabou indo para a série.

DEBORAH WOOD (Deborah). “Nunca tive problemas em ser gordinha, mas o mercado estava muito difícil para mim”, conta Deborah, que perdeu 40 quilos para a série. Sua personagem é uma atriz que não quer ser só a gordinha palhaça e ambiciona papéis sérios. “Eu também quero, mas não abro mão de um bom papel engraçado”, garante.

PEDRO GRACINDO (Pedro). O rapaz que toca baixo, violão, acordeão, rabeca, piano, cavaquinho e clarinete diz que já se acostumou a ver, ao lado de seu nome, a frase “neto de Gracindo Jr. e filho de Paulo Gracindo”. Ele, que já trabalhou em floricultura, jornal de bairro e em pizzaria, estudou cinema, fez com o pai um documentário sobre o avô e caiu no teatro. “Se deixasse o sobrenome pesar seria um estresse muito grande na minha vida. Então, levo na esportiva”, diz. Na série, ele abre mão da carreira por causa do filho.

ELISA PINHEIRO (Elisa). Formada em Teoria do Teatro pela UniRio, Elisa fez testes para a peça e não foi selecionada. Mas, depois de substituir Fernanda de Freitas em “Ensina-me a viver”, também dirigida por João Falcão, a atriz acabou entrando no lugar de Luana Martau em “Clandestinos” por uns tempos. Resultado: foi chamada para a série, onde vive a produtora que puxa o diretor para a realidade. “Não cumpri a trajetória normal, de todos os outros, mas fiz a minha e acabei me juntando ao grupo”, conta.

CHANDELLY BRAZ (Chandelly). “Minha mãe conta que viu meu nome num livro. Ele é de origem francesa, mas isso ela não sabia, achava que era italiano! A sobremesa (batizada com o nome da moça) não existia ainda”, diverte-se a pernambucana, lembrando que chegou a mandar um e-mail para o fabricante. Sua personagem quer esconder o sotaque nordestino com medo de ficar marcada na TV. “O estigma existe, mas minha preocupação está em fazer bem o meu trabalho”, explica Chandelly.

EMILIANO D’AVILA (Emiliano). Baiano, o Emiliano da vida real pode fazer o telespectador lembrar de Wagner Moura, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos, que também trabalharam com João Falcão. “Na Bahia, existe um apelo muito forte à regionalidade e, como em todo lugar existe essa questão do perfil, disse a João (Falcão) que já tinha deixado de fazer testes e pegar trabalhos em Salvador porque muitas vezes queriam atores negros”, lembra o ator, cujo personagem, na peça e na série, leva ao extremo essa percepção.

GISELLE BATISTA (Giselle). “O mundo é grande demais para não caber duas pessoas”, acredita Giselle. Ao lado de sua irmã gêmea, Michelle, as duas encenam na TV a busca por uma identidade própria. “O engraçado é que não vai ficar fácil saber o que é ficção e o que é realidade. Tenho certeza que isso vai gerar uma certa confusão”, acredita.

HUGO LEÃO (Hugo). O pai do ator foi professor de teatro da mãe do rapaz, que foi criado em Brasília e sempre gostou de… encenar aberturas de novelas. “Adorava cantar as músicas, mas isso era diversão pura, sem nenhum comprometimento artístico”, conta. Depois de se dividir entre o teatro e o jornalismo, Hugo optou pela carreira artística. Na série, ele é um distante amigo de infância do diretor que reaparece em função dos testes. “Tudo dele é ficção, mas adoraria que fosse minha história”, comenta.

LUANA MARTAU (Luana). Na peça, a personagem de Luana é uma ex-apresentadora mirim que, frustrada pelo fim da carreira, cai nas drogas e no álcool. Na série, a personagem virou uma ex-companheira de Fábio na atração que comandavam quando eram crianças. “A única coisa que tenho em comum com minha personagem é que comecei a trabalhar nova, aos 9 anos, fazendo musicais infantis”, diz a atriz, que conta que já fez até papel de “meio-ambiente” em peças. “Faria tudo de novo se precisasse”, afirma.

RENATA GUIDA (Renata). Na série, Renata é uma atriz de teatro experimental, que vem para o Rio para estrelar uma novela. Na vida real, Renata foi do Centro de Pesquisa Teatral do diretor Antunes Filho e trabalhou como garçonete. “Em São Paulo me levava a sério demais. O Rio e a peça me trouxeram uma leveza. Aprendi a rir de mim mesma”, diz.

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Publicado em 4 de novembro de 2010, em Televisão. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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